Sei lá... tá tudo tão esquisito...
Atualmente, fico pensando no motivo da existência humana, leio sobre a ética e a moral que envolve as virtudes humanas (o que acaba por analisar também sentimentos), dou aulas de canto e quero direcionar minha vida profissional para algum lugar que não sei bem onde. Talvez, eu sofra por querer planejar demais. Quando deixamos a vida seguir o caminho natural, tudo fica mais fácil, parece. Mas também é necessário um esforço de nossa parte para que as coisas dêem certo. Simplificando ao máximo, para ganhar na loteria é preciso que pelo menos você compre bilhetes!
E então, vem a existência humana como grande pergunta da minha cabeça. Para quê serve a bendita? Qual é, de verdade, o motivo pelo qual nós existimos? Não quero saber de ter uma razão pra viver, porque isso eu posso criar e viver bem, até minha morte. Mas... e depois? O que há depois? Antes, eu dizia que tinha uma enorme curiosidade para ver o que tinha depois, se existir algo, e que se houver uma existência da minha consciência (aliás, alma) no post mortem, eu iria gostar de ter morrido. Antes, não fazia sentido para mim não ter nada no depois, eu ainda teria que continuar existindo para mim. Mas, a partir do momento que se retira o conceito de alma, as coisas mudam muito de figura. Se a consciência some ao se desligar do corpo, o fim da vida é apenas fim, e a energia vital que temos apenas se dissipa, mas paramos de existir. Então, qual seria a função de cada pessoa ter consciência de si mesmo? Porque que eu deveria saber que eu existo? Afinal, cada um habita em si mesmo, não? E era isso que eu chamava de alma, mas estou achando que é apenas uma energia num corpo que é modificada pelo meio, e isso não me deixa feliz, nem bem, nem satisfeita. Ficaria feliz se a morte fosse como uma saída do corpo e eu me lembrasse de tudo, ao menos quando despertasse de novo.
Sem alma, a morte é um fim assustador, porque paramos de existir. Ponto final. Porém, é a solução que chegará para todos. O que, novamente, invalida, para mim, a minha convivência comigo 24 horas por dia, que é completamente sem função! Eu não poderia ter vida sem ter consciência? Seria muito melhor!!! Quando a morte viesse, se fosse indolor, estaria tudo bem, e faria mais sentido. Se vamos morrer, não tínhamos que ter consciência do eu, do ego, e... devemos ser mesmo células de um grande organismo. Sempre se renovando para perpetuar algo maior, um microcosmos, e não um macrocosmos, mas se formos indo assim, a Terra seria uma célula do universo, e deve haver algo maior ainda, e o infinito, que é tão inimaginável, deveria ter um motivo para existir... Não, ele se basta, ele existe e está bem assim. Eu nasci e está bem assim. Vou morrer. Okey, mas por que diabos me deram uma consciência??? Se vou morrer, pra quê???
Nada faz sentido. Dá pra se divertir muito, dá pra viver muito. Mas não faz sentido.
Dizem que quando estamos bem velhinhos, sentimos uma vontade tremenda de descansar, e assim morremos...
Daí, vem uma parada cardíaca fulminante e acaba...
Sei lá, viu.
Enquanto isso, o tempo corre.
E eu não descubro para que diabos me deram essa tal de consciência...
posted by *Mayra Felicio Terzian* 04:14
Sabe...
Eu falava tanto em alma, o tempo todo.
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A alma existe?
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A idéia de suicídio é perfeitamente aceitável quando se é ateu. Se não há mais nada além disto aqui, e se o inferno e o céu são grandes mitos, a morte é um fim. Não é boa, nem ruim, é apenas fim.
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Hoje um amigo disse que era bom viver porque "de vez em quando acontece uma coisa boa", então a gente pode viver para ver o que acontece.
Juntando isso a "o ser humano é um ser eternamente insatisfeito", você faz o que com a sua vida?
É triste aceitar o marasmo. Não se está bem, não se está mal. Apenas vive-se.
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Porém, acho que as ações permitem mudanças. Se tirarmos a alma da jogada, temos um mundo extremamente físico. Ações concretas propiciam mudanças de humor, e o meio também interfere em nós.
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O instinto de um animal faz com que ele queira se sentir merecedor daquilo que come, por exemplo. Por isso, ele caça.
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Vai ver, me sinto morta e não sabia.
posted by *Mayra Felicio Terzian* 00:35
Teve uma coisa muito legal no comecinho do meu relacionamento.
Ele meio que me pediu em namoro e eu disse que não sabia, ainda, porque eu ia voltar pra São Paulo e não sabia como ficaria a minha cabeça.
Daí, quando estávamos jantando ele disse:
" Eu não entro em jogo pra perder. "
Lembro do olhar dele dentro do meu, de um sorriso diferente, da firmeza com que falou essa frase. Foi uma promessa sincera, foram muito mais que palavras.
Eu já gostava dele e estava sendo cativada. Depois dessa, me ganhou por inteiro.
Espero que eu nunca esqueça disso. Foi um momento único.
posted by *Mayra Felicio Terzian* 02:33
Eu não tenho flores para todos.
E se a porta for só uma?
Eu tentei me organizar e levar o menos possível. A verdade é que não deu, tive que trazer duas mochilas.
Não foi a viagem mais longa, porém a mais indeterminável. Só mandaram seguir em frente, e eu segui.
Não sou muito de perguntar, nem de olhar para trás.
Quando me dei conta, era tarde. Mas gostei do novo lugar.
Dizem que espírito não sente saudade? Porque nunca li isso?
Talvez, a magia seja tão luminosa, em todos os sentidos, que eu acabe por esquecer todos.
Porque alguém que está pouco se lixando para o poder de Deus não sentiria saudade de quem fica, dos seus, na Terra, queridos?
Só há sentido no rio. Alethea (verdade). Esquecer.
posted by *Mayra Felicio Terzian* 02:05
Sei lá...
Acho que as melhores fases da vida são aquelas que a gente não tem exata consciência do quão bem estamos. Apenas estamos, e não nos preocupamos com algum aspecto gritantemente ruim (que palavreado! Enfim...) ou em diagnosticar nosso bem estar, ou sua porcentagem.
Infelizmente, eu me encontro na fase do diagnóstico, porém com um agravante: estou tão atrapalhada que não consigo contabilizar direito. E ao mesmo tempo que têm coisas maravilhosas acontecendo, têm outras muito ruins. Pensando bem, essa incapacidade de pensar direito é mais culpa minha que qualquer outra coisa: eu provavelmente estou com medo de encontrar e encarar os fatos infelizes. Tenho vontade de organizar, tenho receio de me deparar com o que falta e ficar com as mãos agarrando o ar, sem possibilidade de eu poder me ajudar concretamente. Acredito que seja “só” uma fase, meio comprida, mas daquelas que antecedem algum bom acontecimento. Porque essa “crise” toda é no setor profissional, que tem tomado para si a maior parte de minhas energias, ao mesmo tempo que vejo a impossibilidade de controlar isso. É chegado mais um dos momentos de pensar, parar, analisar, de não-fazer, de colocar gastos no papel com lápis e borracha/apontador do lado.
E eu também estou naquelas de olhar no espelho e dizer: ã???
Não que eu goste de me achar feia. Porém, tenho achado, em muitos momentos. Engraçado isso acontecer quando tem alguém que pode me dizer justamente o contrário... Mas sim, é fato. Não gosto da imagem que vejo. Não estou orgulhosa de mim. Apenas estou crescendo em alguns aspectos, porém, não sorrio para mim mesma. Só olho para minha imagem com aquela cara estranha de quem não entende como pode habitar uma alma numa pessoa tão estranha, no aspecto físico. Feia.
Não. Ser feio não é péssimo, é apenas uma característica. Agora, o porquê dessa visão, não sei. Vai ver, é apenas desleixo.
Falou!
posted by *Mayra Felicio Terzian* 03:09
Oi!
Eu precisava disso...
Um post de Paris!!!!
Pois e, quem diria, eu estou aqui...
E isso
Falou!
posted by *Mayra Felicio Terzian* 18:00
Olá.
Hoje eu olhei para meus colegas de teatro, sentados na roda, definindo cenários da peça. Soltei:
-Olha só... todo mundo que está aqui um dia vai morrer.
Meu amigo do lado se assustou, de certa forma. Mas não é verdade?
Imaginei todos em caixões. Não sei com que idade essas pessoas morrerão, nem se o avanço da ciência vai ser tão 'magnífico' a ponto de acabar com a morte. Só que eu ainda duvido dese tipo de 'evolução'. Todos vamos morrer sim, algum dia, mesmo que tarde.
São pessoas de várias idades, tons de pele, cores de olho. E todas vão morrer um dia. Pode ser que a garotinha faleça primeiro que o homem 15 anos mais velho que ela. Pode ser que eu seja a primeira. Pode ser que eu nunca mais veja essas pessoas na vida. Pode ser que um deles morra hoje, ou já tenha morrido.
Isso não me dá pânico, apenas causa em mim um misto de incômodo com curiosidade. Não sei se posso conversar sobre isso com alguém naturalmente. Gosto de pensar na morte como algo que virá e me trará ou o fim absoluto, ou a descoberta de uma nova realidade. Não tenho medo, tenho um desconhecimento e uma curiosidade impossível de ser sanada enquanto eu não bater as botas realmente, a não ser que haja uma pesquisa aprofundada da minha parte, ou que eu me agarre a alguma religião que explique a morte de uma maneira que me agrade.
Eu vou gostar de morrer, quando chegar a hora. Eu não vou gostar da dor, se houver, nem do desespero alheio. E é por isso que quando alguém está muito doente (leia-se "caminhando para a morte"), eu não fico preocupada se a pessoa não estiver com dor: é natural.
Na peça que estamos fazendo, a personagem principal diz: "Morrer é a pior coisa que me aconteceu". Eu gostaria de falar: "Morrer é uma das coisas boas da vida que me acontecerá. Não a melhor, talvez nem a última, mas boa."
...
Eu devo ser maluca mesmo.
Boa noite!
posted by *Mayra Felicio Terzian* 01:26
Teve um dia que eu ouvi meu nome e cansei dele.
Esse negócio de Mayra pra cá, Mayra pra lá... tem uma hora que você não agüenta. É simples: um nome com fonemas tão abertos, repetido ao longo de mais de 20 anos, enche o saco. 20 anos sem variar muito. É Má, May (se diz "mêi"), e Mayra. Fim. Me irritei.
Pensei em trocar de nome, sabe? Pensei em Maytê: è bonito, só troca um pedaço do original, ainda dá pra me chamar de May e tem o charminho do "y", mas tem um "e" que ajuda o som a ficar menos rasgado. O "t" me agrada bastante também.
Daí, hoje eu olhei pra minha cara na foto do MSN... putz grila.. pelo menos essa aí tem mudado ao longo dos anos... Mas parece tão fixa, sabe? Me enjoou, também. Porém, plástica não resolve, já que o olhar Mayrístico continuaria o mesmo. Morrer é uma solução bem rápida, mas eu ainda quero viver, e não é uma cara enjoativa que vai acabar comigo, assim, sem mais nem menos. O jeito é amadurecer por dentro e mudar por fora. Ou, de repente, o que acaba mudando é a minha visão de mim mesma. Já o nome... Ah, até que Mayra é um nome bonito!
posted by *Mayra Felicio Terzian* 02:06
Faz uns dias, me deparei com algo novo para minha percepção: minha personalidade. Não sei como foi, mas eu a percebi firmemente definida esses dias.
Foi um susto. Eu queria ser aquela pessoa moldável, e acabei percebendo características e opiniões em mim que parecem sólidas feito pedra. E isso me causa muito estranhamento.
Estranho também é reparar em uma personalidade que eu nem sabia que eu tinha! Eu nem sei se gosto dessa Mayra que sou, não deu nem tempo de julgar: ela surgiu já deve fazer muito tempo e eu não me dei conta. É como estar grávida e não ficar enjoada, de repente o filho se desenvolve, nasce e está aí. Quando você se dá conta, ele tem 20 anos e já está trabalhando!
Não adianta raciocinar, agora já está feito. Talvez, sobre para mim um analisar desse novo ser estranho e tão íntimo, o EU. Mas quando eu acabar a análise, estarei em outra fase e... isso me cheira a bola de neve.
Só queria ver se gosto dessa pessoa ou não. Porque eu queria ter a sensação (confortável) de poder mudar, se eu quiser. É importante não ser uma cabeçuda casca grossa. É importante ter alguma maleabilidade.
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"...Eu sei que é estranho viver. Não é normal acordar todos os dias e ir dormir, para depois repetir o processo um milhão de vezes. Não há nexo em se preocupar com um filho da mesma maneira que se preocupa com um carro. É a vida.
Sempre paramos para perguntar o sentido. Palavra vaga, esse tal de "sentido", não acha?
Cada um acredita numa coisa, e tenta encontrar semelhantes que têm os mesmos princípios de vida para dizer que não está sozinho. É essa falsidade toda que nos garante, ilusoriamente, a sensação de bem estar por ter um clã que nos conforta. Viva a nossa hipocrisia com nós mesmos!
Eu não te falei que os suicidas são os grandes sábios da história? Se há algum mártir a ser seguido como exemplo, é quem deu a vida, mas não por uma causa (porque isso demonstra o tamanho do ego do cara, que se acha tão importante a ponto de morrer e atingir a glória após a morte), mas de graça. Imagine só um homem que se distancia de tudo e de todos, até virar anônimo, e comete o suicídio. Já viu maior coragem que essa? Esse sim é um herói, vencedor de sua própria hipocrisia. O ser humano não se ama de menos, ele se ama demais. Mesmo um depressivo suicida quer deixar sua marca, que julga importante. Só um homem trabalhador, praticamente um burro de carga, não tem um ego tão "reluzente": está ocupado demais trabalhando para pensar em sua morte. Daí vem a idéia que o trabalho edifica o homem. Claro, ele não tem tempo para pensar, menos ainda para procurar o tal "sentido" da vida.
É por isso que concluo que todos que pensam são, na verdade, idiotas. Uma coisa implica na outra. Hedonistas são os verdadeiros sábios e, os sábios, os verdadeiros idiotas. Qualquer pessoa que quer crescer, seja intelectualmente, emocionalmente ou fisicamente, está apenas gastando seu tempo. Se todos cuspissem em seus valores, o mundo seria melhor para essas pessoas. E então, estamos vivendo na época da aparição dos verdadeiros gênios, os que aproveitam a vida custe o que custar. Deus caiu de moda faz tempo, e parou com o papel moralizador. A ética passou a ser a moral, e a falta dela vem tomar o lugar da dita "normalidade". Sim, meu caro! Estamos vivendo a verdadeira Época de Ouro da genialidade humana! ..."
Ming Yang, Tan - O mendigo experimental - pg. 13
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(O texto é meu, viu? Esse livro não existe! rs)
Falou!
posted by *Mayra Felicio Terzian* 01:27
Fica registrado que hoje, pouco antes das 19h, eu finalmente acabei de montar meu quebra cabeças de 5000 peças!
Nem acredito.
E o pior de tudo isso não é nem acabar de colá-lo. O pior é que faltam 3 peças nele! (Ai, que ódio)
Falou!
(primeiro projeto para 2008 concluído)
posted by *Mayra Felicio Terzian* 23:16